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A Nova Inconfidência Mineira

Antes de contar esta história, tenho que narrar a todos o que aconteceu no passado.......

No meio dos anos 90, o governo decide recuperar sua malha ferroviária, então ele faz um plano de recuperação para os trens de subúrbios, e os recupera para ser de passageiros, e o resto da malha fica para a carga. No entanto, nem todas as cidades tem sua malha de subúrbio recuperada, Belo Horizonte por exemplo fica sem trens de passageiros, toda a mobilidade de sua região metropolitana é feita pelo transporte rodoviário, os trilhos remanescentes são usados pela carga.

Se a ideia era recuperar a malha como um todo, o arrendamento foi mais um erro. O certo seria arrendar a um administrador, que distribuiria o uso dos ramais, para diversas transportadoras, inclusive a de passageiros. Mas o arrendamento se fez para as transportadoras, que usaram os ramais para transporte exclusivo de um tipo de carga, e com o passar do tempo, isso gerou a falta de viabilidade comercial, pela incompatibilidade da carga transportada e a necessidade local de ter outro tipo de carga transportada, além de criar verdadeiros bolsões de imobilidade humana, e em vez de mudar o que estava sendo transportada, as transportadoras preferiram acabar com diversas linhas, e abandonar estes ramais a própria sorte, contrariando o contrato assinado, que a obriga devolver como recebeu.

Abandonar as estações foi outro erro das transportadoras, as estações deveriam ser transformadas em locais de comercio para as pequenas cargas que seriam feitas por short lines, mas eles só enxergavam que estações seriam sempre um ponto onde o povo ia querer sua ferrovia de volta. Pisar e humilhar o povo em seu sonho de mobilidade, foi fácil, deixar toda uma população sem perspectiva, foi fácil, como foi fácil transparecer que apesar de tudo ter sido construído com os impostos pagos por nossos bisavós, por nossos avós, e os que nossos pais pagaram, hoje tudo é considerado propriedade de transportadoras, que compraram os maus políticos, achando que compraram o País.

O faturamento tem altíssimos números, mas a taxa de ocupação dos trilhos, em média 17%, é muito baixa, abandonos e descasos se espalham pelas linhas, erros em cima de erros, descumprindo partes do contrato, e a ferrovia é tratada como se os arrendatários fossem seus donos. Mas, eles ainda têm amigos no poder, e com isso, planos de expansão para o futuro, sempre são para aumentar o volume de cargas. E ir abandonando qualquer ideia, ou sonho de volta dos trens de passageiros.

Na outra ponta tem o ser humano, aquele mais conhecido como o "pobre", aquele que sonha, aquele que paga imposto em tudo que compra, aquele que acredita que um dia será feliz. Onde o trem de passageiros deixou de passar, ele perdeu sua mobilidade. O desmonte das ferrovias vinha massacrando sua vida, com a impossibilidade de trabalhar longe, com a impossibilidade de mandar seu filho estudar um pouco mais distante de casa, e dentre tantas impossibilidades, até um milagre ficou esquecido no rastro da imobilidade.

Nos anos 60 um milagre em Porto das Caixas, onde uma imagem de Cristo chorou sangue, atraia multidões. Nos anos 70 o trem foi desativado, e apesar de toda a força da religião, o fenômeno do milagre não consegue atrair mais o mesmo número de romeiros. A dificuldade de locomoção impede as pessoas de cultivarem sua fé. É mais fácil, mais rápido, e mais barato, ir do Rio a Aparecida do Norte, do que ir do Rio a sua região metropolitana de Porto das Caixas.

Outro fenômeno, é que apesar do crescimento populacional em todo o País, nos locais onde o trem deixou de passar para dar lugar a carga, o crescimento populacional registrado pelo IBGE é próximo de zero, as pessoas por total falta de futuro abandonaram suas raízes, para tentar sobreviver nas comunidades, ou nas ruas da capital. Geramos pessoas sem futuro, sem identidade com o passado, sem sonhos, ou esperança de serem felizes, geramos a violência, que nos cerca por todos os lados.

Apesar de só terminar em 2026 as transportadoras querem renovar seus contratos agora, talvez pela possibilidade de renovar sem pagar suas multas, e sem ter compromisso com o povo de restabelecer sua mobilidade, e por ter no poder, políticos envolvidos em corrupção. Mas a ideia da reportagem, assim como a da Nova Inconfidência Mineira, não é buscar culpados por corrupção, ou ficar somente na eterna reclamação, a meta é restabelecer a mobilidade humana, e aumentar, o volume, e a diversidade do transporte de carga, é de ter progresso de verdade para todos.

Hoje o brasileiro vê passar por suas estradas de ferro bilhões em carga, mas por elas ele não pode trabalhar, seu filho não pode estudar, seu futuro se esvai na exclusividade das transportadoras. Recuperar ferrovias para os trens de passageiros não é só uma meta social, é uma obrigação política, é mostrar que uma pessoa ao ir trabalhar, e receber o seu salário mínimo, a sua importância na roda viva da economia, ao gastar o seu salário mínimo, ele paga impostos, gera emprego em outros setores, aumenta a produção industrial, intensifica o comércio, e cria os bilhões em carga que cruzam nossas ferrovias.

É preciso que o bom político do Rio se una ao bom político de Minas, e junto com os movimentos sociais, para lutar pela volta do trem de passageiros, e pelo direito de passear com o trem de turismo. Todos unidos em uma nova Inconfidência fazendo um trabalho forte para a volta do sonho, a volta da esperança, a volta do emprego, a volta da alegria, e a volta do verdadeiro crescimento do Brasil.



RVT - A Nova Inconfidência Mineira. Depois da greve dos caminhoneiros a MRS resolveu antecipar sua renovação, sob alegação de ter fechado contratos novos para o transporte de cargas. Isso alterou tudo, agora todas as verbas vão para a construção do Ferro anel de São Paulo, o resto vira resto, e a E. F. 118 fica para depois do Ferro anel, por isso os Deputados de Minas se reunirão e formaram a 1ª Comissão extraordinária pró ferrovias, vão acompanhar de perto toda a renegociação e tentar evitar os grandes prejuízos, que Minas e o Rio sofrerão nesta renegociação. E na sua primeira reunião, descubro que eles querem a volta dos trens de subúrbio de Belo Horizonte, além de não aceitarem os vícios da renegociação.



RVT - Entrevista com o Dep. João Leite. Após a 1ª reunião da comissão extraordinária pró ferrovias, o Dep. João Leite nos concedeu uma entrevista onde convida o Dep. André Ceciliano a criar uma comissão igual no Rio e irem juntos a Brasília, na luta em defesa do direito dos trabalhadores e estudantes, de usarem o trem para suas atividades. Um convite para integrar a Nova Inconfidência Mineira. Já provamos que a MRS compartilha muito bem o trem de carga com o de passageiros em São Paulo e queremos o mesmo para o Rio e Minas, nem que seja das 05:00 as 09:00, só trem de passageiros, depois só passa a carga as 11:00 as 14:00 o trem de passageiros volta com exclusividade,, e das 17:00 as 20:00 horas de novo só trem de passageiros, e por fim as 23:00 um último trem de passageiros.



RVT - Entrevista com a Dep. Marília Campos. O que para muitos é só um sonho, para a Deputada é uma busca interminável, na entrevista concedida, fica clara a sua determinação em conseguir a volta dos trens de passageiros. E ela sabe a admite que a luta será longa e dura.

27/07/2018 13:26

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